Publicado em Falhas de memória, Funcionamento da memória

Como nossas memórias podem ser moldadas por relatos de terceiros

Tempo estimado de leitura: 2 minutos

Por mais que tenhamos a pré-concepção de que nossas memórias nos recordamos de algo como uma espécie de reprodução fidedigna do ocorrido e que não esquecemos de algo com facilidade (ainda mais se for carregado emocionalmente), isto está longe de ser real 🤯. Quando nos lembramos, reconstruimos e não reproduzimos. Nessa reconstrução, sobram espaços para omissões que são preenchidas com nossas expectativas de como o mundo funciona ou sobre nossa história coletiva, por exemplo. Nossa memória também está sujeita à falhas 😧. Para mais detalhes sobre o funcionamento da nossa memória sugiro a leitura dos posts: 1) Mas afinal, o como funciona a memória?; 2) Os sete “pecados” da memória e; 3) 6 crenças incorretas sobre o funcionamento da memória. 😉

Estamos sujeitos, também, à influências sociais. Isto é, o que outras pessoas nos contam sobre um evento pode influenciar nossas recordações sobre o mesmo. Isso vale também para instituições, governos e mídias. Esse fenômeno recebe o nome de conformidade social e é alvo de estudos à muitas décadas. Estudos sobre a temática tem demonstrado que somos passíveis de sua influencia tanto em nível individual quanto grupal. 😱

group of people reading book sitting on chair
Photo by Helena Lopes on Pexels.com

Embora os estudos em nível individual e de pequenos grupos tenham sido predominantes, as pesquisas com grupos maiores têm ganhado espaço com a possibilidade de análises em tempo real através de procedimentos mais automatizados em redes sociais, chats online, etc. E essas pesquisas nos trarão informações valiosas sobre esse fenômeno.

Nos sabemos, por exemplo, que pessoas que viveram em lados opostos do Muro de Berlim, por exemplo, tem memórias distintas sobre o ocorrido. E hoje em dia, as redes sociais tem facilitado e promovido a formação de grupos bastante homogêneos e separados. Além da ampla circulação de desinformações diversas/fake news. Isso abre espaço para formação de memórias grupais muito distintas sobre eventos do nosso país, por exemplo. E isso pode ter consequências negativas no curto, médio e longo prazo.

Voltaremos a abordar essas temáticas, com maiores detalhes, em futuras postagens do blog 😉

Por hoje é só pessoal! Voltamos em breve! 👋

Publicado em Sem categoria

Fase 3 – dos experimentos com conformidade de memória

Tempo estimado de leitura: < 1 minuto

Venho lhes informar que, nesse mês de Junho, iniciamos as coletas presenciais do nosso experimento de conformidade de memória😎. Os objetivos principais da nova fase são replicar os achados obtidos na fase 1 através de uma amostra que está fazendo os experimentos presencialmente e verificar o efeito de uma manipulação experimental que será revelada posteriormente 😉

creative workplace with laptop and notebook
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Assim que possível trarei novidades 😉

E agora em Julho, retomarei as postagens com outros conteúdos de memória.

Então é isso, pessoal! Por hoje é só!

Até breve 👋

Publicado em Sem categoria

A dissertação sobre o nosso experimento está disponível

Tempo estimado de leitura: < 1 minuto


Olá pessoas, como vão?

Por aqui tem sido uma correria, o final do mestrado passou e já logo me inseri em um programa de doutorado dentro da nossa UFMG mesmo (o de Psicologia: Cognição e Comportamento) 🤩. Como todo iniciozinho é mais demandante já que novos ajustes tem que ser feitos nas nossas vidas (em especial na rotina) e algumas burocracias básicas têm de ser cumpridas, não consegui trazer uma nova postagem no mês passado (e só estou trazendo a nova ao final do mês) :(. Mas trago a minha dissertação para vocês, ela está facilmente disponível para o público interessado agora. 😎

Por enquanto, vou disponibilizar para vocês apenas o link 🔗 para o PDF da minha dissertação. A ideia de disponibilizar vídeos breves 🎞 🎬 relatando e explicando os resultados e desdobramentos, no entanto, permanece. Pretendo voltar a produzi-los quando houver maior disponibilidade de tempo ;).

A dissertação recebeu o título de “Conformidade de memória: as influências de informações provindas de fontes externas confiáveis e não-confiáveis durante o reconhecimento” para acessar o PDF basta clicar sobre o título ou, se preferir, pode conferir antes a pagina de registro da dissertação no repositório da UFMG: https://repositorio.ufmg.br/handle/1843/39316 🔗

Então é isso, pessoal! Por hoje é só!

Até breve 👋

Publicado em Falhas de memória, Funcionamento da memória

Memórias autobiográficas supergeneralizadas, hipóteses sobre a memória em pessoas em estado depressivo

Tempo estimado de leitura: 2 minutos

As memórias autobiográficas são as lembranças que temos de nossas experiencias pessoais, são o suporte de nossa biografia, e serem se organizadora das nossas experiências de vida. Não é sem motivos que, geralmente, temos receio de sermos (ou pessoas próximas a nós) acometidos pela Doença de Alzheimer (por exemplo) 😱. Afinal, nossas memórias autobiográficas  são parte importante na nossa relação com o mundo, as pessoas próximas a nós e nosso “mundo” interior. 📌

Nossas memórias autobiográficas estão intimamente ligadas a quem somos e tem relação com a distribuição temporal, isto é, variam de acordo com a etapa do ciclo de vida em que nos encontramos (exemplo: infância, adolescência, adultez, velhice). O acesso e/ou registro dessas memorias, no entanto pode ser comprometido por processos de adoecimento como os ligados à Doença de Alzheimer e a Depressão. Nessa postagem, vamos falar sobre a depressão, caso  em que as memórias autobiográficas tendem a aparecerem de forma supergeneralizada. Mas o que seria isso? 🤔

white and black floral textile
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Seria uma tendencia, presente em pessoas que estão com depressão, de se recordarem do próprio passado de forma inespecífica, genérica e sintética. Isso quer dizer que elas tendem a apresentarem dificuldades de se lembrarem de coisas do passado de forma específica e nítida, se lembrando com mais facilidade e frequência de uma forma vaga e nebulosa ☁️ ☁️ ☁️.

Infelizmente tudo isso pode trazer sérias consequências 😱. A dificuldade de se lembrar de maneira detalhada, nítida e específica sobre o passado pode levar a dificuldades na resolução de problemas e, limita a nossa capacidade de imaginar futuros já que nós criamos nossas expectativas de futuro nos apoiando sobre o passado (em especial, sobre nossas experiencias passadas) 🤯. Uma outra implicação, é que a combinação de prejuízos nas habilidades de resolução de problemas combinada a dificuldades de imaginar o futuro, pode levar à maiores riscos de suicídio ☹.

As investigações 🧩🔍 nessa área, no entanto, não são simples já que há grande heterogeneidade entre as pessoas com transtorno de humor e no uso de medicamentos. Portanto, novas pesquisas 🧩🔍 devem ser realizadas para tentar lidar com tais particularidades/limitações e nos oferecer hipóteses explicativas mais sólidas. Enquanto isso, podemos refletir sobre  e através dessas hipóteses. 😉

Você pode conferir a referência acadêmica principal, em português, utilizada para a escrita desse post logo abaixo. Você consegue ter acesso ao artigo em PDF utilizando o Google Acadêmico ou clicando diretamente na referência. 😉

Até breve 👋

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Referência bibliográfica:

PERGHER, Giovanni Kuckartz et al. Memória, humor e emoção. Revista de psiquiatria do Rio Grande do Sul, v. 28, n. 1, p. 61-68, 2006.

Publicado em Emoção e memória, Falhas de memória, Funcionamento da memória

Memória congruente com o humor (MCH) ou por que nos lembramos mais de coisas tristes quando estamos tristes?

Tempo estimado de leitura: 2 minutos

Um fenômeno interessante é o da nossa tendencia de codificar (i.e., registrar) e recordar (i.e., se lembrar) com maior facilidade materiais/eventos quando nos encontramos em um estado de humor consistente com a valência emocional (se positiva 😊, negativa ☹ ou neutra 😐, por exemplo) de tais materiais/eventos. Isso significa que, por exemplo, se estamos com um humor triste tendemos a recordar/codificar com maior facilidade materiais e eventos tristes do que positivos (o inverso também é verdadeiro) 🤯. Mas por que isso ocorreria? 🤔 Antes precisamos falar sobre o humor.

O humor pode ser definido como um estado mais estável e abrangente que não está tão vinculado a circunstâncias específicas 📌. Diferentemente da emoção, que geralmente é algo breve, circunscrita e relacionada a circunstâncias específicas (como por exemplo, você ouve um barulho estranho estando sozinho/a em casa de noite e fica com medo 😱). Agora voltemos à MCH! Por que ocorreria esse tal fenômeno? 🤔

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Photo by Min An on Pexels.com

Uma das hipóteses explicativas é de que tendemos a gerar mais associações (que funcionam como pistas para nos lembrarmos depois) para as informações que vão de encontro com nosso estado de humor. Embora os resultados dessas pesquisas 🧩🔍 sejam mais consistentes para a codificação, há pesquisas 🧩🔍 que encontram resultados para a recordação.  De toda forma, os efeitos tendem a aparecer com maior intensidade e frequência em estudos com pessoas que estão com algum quadro clínico (depressão, por exemplo) e/ou com materiais com carga emocional mais intensa.

 Por hoje é só, pessoal!

Você pode conferir a referência acadêmica principal, em português, utilizada para a escrita desse post logo abaixo. Você consegue ter acesso ao artigo em PDF utilizando o Google Acadêmico ou clicando diretamente na referência. 😉

Até breve 👋

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Referência bibliográfica:

PERGHER, Giovanni Kuckartz et al. Memória, humor e emoção. Revista de psiquiatria do Rio Grande do Sul, v. 28, n. 1, p. 61-68, 2006.

Publicado em Comunicados gerais

O blog continua?

Tempo estimado de leitura: < 1 minuto

Como vocês já devem ter reparado o blog ficou meio parado nos últimos meses 😢. Infelizmente, não consegui fazer novas postagens já que o final do meu mestrado foi chegando e foi ficando cada vez mais difícil fazer outras coisas que não cuidar das análises de dados, escrita e revisões. Felizmente, tudo deu certo e temos mais um mestre em Neurociências em nosso país 😀

As pesquisas continuam e a meta agora é o doutorado 😉

As postagens no blog vão ser retomadas, mas em ritmo lento (uma por mês, quando possível 2) 🙂 . Infelizmente, não tenho disponível o tempo que gostaria para fazer uma maior quantidade de postagens (sem perder a qualidade das anteriores). Como até o momento tenho feito tudo sozinho no blog e sem nenhum tipo de renumeração, outros compromissos acabam tendo maior prioridade e o tempo disponível para o blog tem de ser limitado.

Agradeço por acompanharem o blog e já aviso que logo tem uma nova postagem! 😎

Publicado em Animais não-humanos

Um pássaro que lembra do passado e planeja o futuro?

Tempo estimado de leitura: 2 minutos

Continuando a postagem sobre a possibilidade de animais não-humanos apresentarem memórias parecidas/similares a memórias episódicas (dê uma olhadinha 👀 nela nesse link: Animais não-humanos tem memória episódica?), hoje vou te contar sobre um pássaro 🐦 bastante intrigante, o California scrub jay (ou Aphelocoma californica). Esse pássaro é uma espécie nativa da América do Norte, vive aproximadamente 9 anos e tem tamanho médio (27-31 centímetros). Veja uma foto dele logo abaixo 😉. Para saber mais sobre a espécie, consulte o guia da Universidade de Cornell, o All About Birds.

Western Scrub Jay aka California Scrub Jay, taken on February 28, 2010 in Mann, Seattle, WA, US. ID link

O California scrub jay é um animal que guarda/esconde seu alimento para ingestão futura e que para recuperar o alimento guardado deve fazer algum uso de memória espaço-temporal. Lembram-se da nossa postagem sobre memória episódica? Pois então…. Esse pássaro em específico consegue demostrar capacidade de se lembrar do que escondeu, onde e quando. 🤩 Capacidade que pode ser classificada como parecida/similar a memórias episódicas (veja a nossa discussão sobre na postagem Animais não-humanos tem memória episódica?). Mas como testaram essa capacidade? 🤔

Em alguns dos experimentos eles utilizaram alimentos que se degradam em ritmos diferentes, como larvas 🐛 e amendoins 🥜. Enquanto as larvas se degradam em poucas horas, os amendoins duram dias. Os experimentadores colocam o scrub jay em um ambiente em que há tanto amendoins quanto larvas presentes, permitem que o pássaro esconda os alimentos e o retiram do ambiente de teste. Após um intervalo ⏳, geralmente horas, os pássaros são levados de volta ao ambiente de teste e buscam os alimentos onde eles os esconderam. No entanto, se houver passado tempo ⏳ suficiente para a degradação das larvas (o lanchinho preferido deles) 🐛, os scub jays não as procuram no lugar em que as esconderam e vão recuperar os amendoins 🥜. Mas eles poderiam ter procurado pelo cheiro ou outras pistas ao invés de se “lembrar”, não? 🤔

Pesquisadores também testaram isso, removendo os alimentos dos locais onde os pássaros haviam escondido, durante o intervalo em que ele estava fora do ambiente de teste, e preenchendo o espaço de novo com areia. E ainda assim os scrub jays voltaram para os lugares onde haviam escondido seus alimentos. 😯

O California scrub jay, também, consegue ajustar seu comportamento de guardar alimentos de acordo com o conhecimento adquirido por ele sobre as diferentes taxas de degradação de alimentos. Além disso, ele ajusta suas estratégias de armazenamento para minimizar potencial roubo de seus alimentos, depois de ser exposto ao roubo de seus alimentos por outros pássaros. 😯 Intrigante, não é mesmo?

Por hoje é só, pessoal!

Você pode conferir as referências acadêmicas utilizadas para a escrita desse post logo abaixo. Você consegue ter acesso ao artigo em PDF utilizando o Google Acadêmico ou clicando diretamente na referência. 😉

Até breve 👋

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Referências bibliográficas:

HAMPTON, Robert R.; SCHWARTZ, Bennett L. Episodic memory in nonhumans: what, and where, is when?. Current Opinion in Neurobiology, v. 14, n. 2, p. 192-197, 2004.

CLAYTON, Nicola S.; BUSSEY, Timothy J.; DICKINSON, Anthony. Can animals recall the past and plan for the future? Nature Reviews Neuroscience, v. 4, n. 8, p. 685-691, 2003.

Publicado em Animais não-humanos, Tipos de memórias

Animais não-humanos tem memória episódica?

Tempo estimado de leitura: 2 minutos

Hoje  vamos conversar sobre a capacidade de outros animais 🦧 🦉 🐹 🐂 de possuírem um tipo bem específico de memória, as episódicas. Então, antes de ler essa postagem, recomendo dar uma olhadinha 👀 nas postagens “Seriam nossas memórias parecidas ou de vários tipos diferentes?” e, em especial, Memórias de longa duração: episódicas e semânticas. Então vamos, lá?

As investigações 🔎 de memórias episódicas com animais não-humanos costumam ser bem mais difíceis do que com humanos, afinal não temos as mesmas capacidades de linguagem 😕. Como não dá para nos entendermos verbalmente 🗣, as pesquisas de memórias com animais não-humanos têm de ser realizadas de maneira não-verbal com tarefas bem elaboradas, obtendo evidências, muitas vezes, indiretas.

Estudos com animais não-humanos tem utilizado a definição de memória episódica como uma espécie de recordação para quando e onde um evento ocorreu; para a ordem de ocorrência de eventos ou uma recordação do animal sobre o seu próprio comportamento (avaliado, por exemplo, pela capacidade de repetição de um comportamento recente através de um comando de repetição 🔂). Mas e então, os animais têm memória episódica?

two gray lemurs sitting on wooden surface
Photo by Anthony on Pexels.com

Nenhuma das pesquisas avaliadas pela revisão de Hampton e Schwartz (2004) foi capaz de demonstrar que animais não-humanos possuem capacidades generalizadas de memória episódicas como os humanos 🤔. O que tem sido encontrado é algumas espécies com capacidades bem especificas, como orientação para o passado e capacidade de recordar livremente. Como não temos evidências diretas 🗣 de que esses animais se lembram de um passado pessoal, essas capacidades têm sido referidas como parecidas/similares a memórias episódicas. É possível que descubramos animais não-humanos com capacidades de memória episódica mais próximas à nossa? 🤔

Sim, mas isso depende da melhoria de nossas capacidades de realizar avaliações de memória episódica de maneiras não-verbais, de possíveis redefinições do conceito e, especialmente, da preservação da nossa fauna 🐆 🦧 🦜 e da realização de novas pesquisas 🔎.

Por hoje é só! Na próxima postagem, trarei um exemplo de um animal que tem demostrado intrigantes capacidades de memória episódica. Você pode conferir a referência acadêmica utilizada para a escrita desse post logo abaixo. Você consegue ter acesso ao artigo em PDF utilizando o Google Acadêmico ou clicando diretamente na referência. 😉

Até breve 👋

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Referência bibliográfica:

HAMPTON, Robert R.; SCHWARTZ, Bennett L. Episodic memory in nonhumans: what, and where, is when?. Current Opinion in Neurobiology, v. 14, n. 2, p. 192-197, 2004.

Publicado em Falhas de memória

A COVID-19 afeta a memória?

Tempo estimado de leitura: 2 minutos

Uma preocupação crescente quanto aos pacientes que sobrevivem a infecções por SARS-CoV-2 (COVID-19), mesmo quando não há necessidade de hospitalização, tem sido as sequelas que alguns sobreviventes têm manifestado 😧. Dentre essas sequelas, se encontram possíveis problemas de memória. Uma pesquisa 🔍 realizada na Noruega 🇳🇴 procurou investigar se a COVID afeta a memória através de auto-relatos de problemas de memória (também conhecidos como queixas subjetivas de memória) oito meses após a infecção.

A pesquisa contou com três grupos de participantes: 1) grupo com exames laboratoriais positivos para COVID-19; 2) grupo com exames laboratoriais negativos para COVID-19; 3) grupo de participantes não-testados selecionados aletoriamente da população norueguesa. Todos os participantes foram acompanhados por oito meses, não sendo reportados dados de participantes hospitalizados. Foram acompanhados 13,001 adultos 👥.

Dentre as informações coletadas 📋️ pelos pesquisadores se encontram: dados demográficos, dados sobre condições médicas subjacentes e sintomas, dados relacionados com a saúde e qualidade de vida, queixas sobre problemas de memória e, dados sobre confundidores conhecidos relacionados à problemas de memória. Os pesquisadores fizeram análises estatísticas ajustadas para que potenciais confundidores (como idade e outros fatores relacionados à problemas de memória) não afetassem significativamente os resultados. Mas afinal, o que os pesquisadores encontraram? 🤔

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Mais participantes que testaram positivo para COVID-19 apresentaram queixas de problemas de memória (11% dos participantes do grupo) do que participantes que testaram negativo (4%) e participantes sem testagem para COVID-19 (2%) 😧. Além disso, os participantes que testaram positivo relataram terem problemas relacionados à concentração (12% do grupo) e terem piorado sua condição de saúde se comparado a um ano antes (41% do grupo) 😱.

Precisamos de novas pesquisas sobre o tema, mas o recado que fica é se cuidem❗ É melhor se proteger, o máximo possível, do que arriscar 😉. E tomem vacinas 💉

Por hoje é só pessoal! Voltamos em breve! Você pode conferir a referência acadêmica utilizada para a escrita desse post logo abaixo. Você consegue ter acesso ao artigo em PDF utilizando o Google Acadêmico ou clicando diretamente na referência. 😉

Até breve 👋


Referência bibliográfica:

SØRAAS, Arne et al. Self-reported Memory Problems 8 Months After COVID-19 Infection. JAMA Network Open, v. 4, n. 7, p. e2118717-e2118717, 2021.

Publicado em Falhas de memória, Funcionamento da memória, Memória e testemunho

Manipulando e inflando a confiança de reconhecimento

Tempo estimado de leitura: 3 minutos

Seria possível inflar a confiança no reconhecimento? 🤔 Como isso poderia ser feito em  laboratório? 🤔 Um conjunto de experimentos publicados por Smalarz e Wells (2020) mostraram que sim! Não é novidade que a confiança é uma questão problemática, e já abordamos isso em várias postagens aqui no blog (como A questão da confiança e os testemunhos oculares; A questão da confiança e os testemunhos oculares: Vale a inicial?; Repensando as evidências de testemunhas oculares por meio do DNA). A questão da confiança é especialmente, mas não apenas, problemática na esfera judiciário-criminal ⚖ (pense no caso das fake e  junk news por exemplo 😉) já que a confiança que as pessoas expressam em suas recordações é utilizadas informalmente e formalmente como uma espécie de índice de acurácia dessas memórias (veja nossa postagem 🔗 A questão da confiança e os testemunhos oculares: Vale a inicial? para mais detalhes). Mas o que o trabalho de Smalarz e Wells (2020) 🔍 tem de tão interessante? 🤔

O trabalho 🔍 consegue demonstrar através de experimentos bem controlados que múltiplos feedbacks aumentaram, significativamente, mais a confiança no reconhecimento do que apenas uma ou nenhuma dose de feedback 😱🤯. E isso é importante justamente porque no nosso dia a dia nos recebemos várias informações diretas ou indiretas que nos apontam para a possibilidade de estarmos certos quanto a uma recordação ou não. Ao longo do tempo, essas informações/feedbacks podem ir se acumulando ⏳ e gerando distorções a ponto de termos inclusive falsas memórias de alta confiança (veja a nossa discussão da nossa postagem sobre 🔗Memórias flashbulb e falsas memórias 😉). Mas como os pesquisadores do estudo chegaram nesses resultados? 🤔

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Eles fizeram dois experimentos 🔍🧩 nos quais os participantes foram separados em vários grupos que poderiam ou não receber feedbacks sobre suas respostas. Nos dois experimentos os participantes assistiam a um vídeo exibindo um suspeito trocando sua bagagem com a de outro passageiro, logo depois os participantes fizeram uma tarefa de reconhecimento 🆔 (e responderam algumas perguntas) com fotos de seis pessoas que se encaixavam na descrição do suspeito. No primeiro experimento, os participantes poderiam receber feedbacks de reconhecimentos corretos através de outra co-testemunha, um feedback vago do experimentador (do tipo “você foi uma boa testemunha” 💬) e/ou um feedback baseado em inferência (em que a testemunha era levada a acreditar que sua escolha tinha sido correta, manipulando suas expectativas sobre boas testemunhas serem reconvocadas para fazer um novo reconhecimento). No experimento dois, os participantes poderiam receber os feedbacks (dos mesmos tipos) após reconhecimentos incorretos.

O estudo 🔍 sugere que feedbacks múltiplos e repetidos 🔁 podem distorcer índices importantes de reconhecimento, como a confiança (inflando-a). A distorção gerada por esses feedbacks, ao longo do tempo, pode ser uma das explicações para a quebra da relação entre a confiança e a acurácia de memórias observadas, por exemplo, nos testemunhos realizados diante de um juris que geralmente ocorrem muitos meses (ou anos) ⏳ após o ocorrido (para uma discussão mais aprofundada veja a nossa postagem 🔗A questão da confiança e os testemunhos oculares). Por isso, é importantíssimo que evidencias de memória sejam coletadas e preservadas com rigor e que a confiança emitida no testemunho inicial seja utilizada ao longo de todo o processo ❗ (veja a discussão em Repensando as evidências de testemunhas oculares por meio do DNA) 📌.

Por hoje é só pessoal! Voltamos em breve! Você pode conferir a referência acadêmica principal utilizada para a escrita desse post logo abaixo. Você consegue ter acesso ao artigo em PDF utilizando o Google Acadêmico ou clicando diretamente na referência. 😉

Até breve 👋


Referência bibliográfica:

SMALARZ, Laura; WELLS, Gary L. Do Multiple Doses of Feedback Have Cumulative Effects on Eyewitness Confidence?. Journal of Applied Research in Memory and Cognition, v. 9, n. 4, p. 508-518, 2020.