Publicado em Falhas de memória

Os sete “pecados” da memória

Tempo estimado de leitura: 2 minutos

Tendemos a acreditar e somos socialmente cobrados a ter uma memória imbatível, armazenando uma infinidade de informações e recordando-as sem erros ou omissões, não é mesmo? 🤔 No entanto, infelizmente 😥, a nossa memória não funciona assim. Em nosso dia a dia mesmo coisas muito banais podem com frequência resultar em erros ou experiências de memórias abaixo do esperado 😮. Tais falhas podem ocasionar impactos diversos desde leves (como confundir uma informação e esquecer algo sem grandes implicações) até impactos mais graves como no âmbito jurídico/penal em que falhas podem resultar em falsos testemunhos e na condenação de pessoas inocentes 😟.

O artigo de Schacter, Chiao e Mitchell (2003) nos informa sobre sete “pecados” da memória e suas implicações para o self (você pode conferir o artigo nas referências ao final do post, mas só se você quiser 😉 ). Três desses sete “pecados” são referentes a tipos de esquecimento (a transitoriedade; a distração; o bloqueio), três a diferentes tipos de distorções (atribuição incorreta, a sugestionabilidade; o viés) e um referente a intrusão de memórias (a persistência). Vamos conhecer rapidinho sobre cada um deles 🔍?

Foto por Nathan Cowley em Pexels.com

Os “pecados” do esquecimento são: 1) a perda da acessibilidade da recordação ao longo do tempo (como o simples esquecer de eventos de um passado distante); 2) os lapsos de atenção que resultam em esquecimento (como o esquecer da localização de suas chaves); 3) o bloqueio temporário de recordações (como o fenômeno ponta da língua). Já os “pecados” de distorção seriam: 4) a atribuição incorreta de memória a uma fonte (como confundir um sonho como uma memória de algo que realmente aconteceu); 5) a implantação de memórias sobre coisas que nunca aconteceram (através do uso de questões sugestivas que podem resultar em fenômenos de falsas memórias, por exemplo) e ; 6) o viés, em que o conhecimento e crenças atuais distorcem nossas memórias do passado (como quando nos lembramos de atitudes passadas sob a ótica de nossas atuais atitudes). Já o pecado do tipo intrusão de memórias, denominado persistência (7), seriam recordações indesejadas que nós não conseguimos nunca esquecer (como as memórias traumáticas de uma guerra).

E, repare bem, essa é só uma das listas. 😱 Há diversos outros “pecados” da memória sendo cometidos constantemente 🤯. Vou lhes explicar futuramente sobre outros erros 😉

Até lá, vocês podem consultar a referencia bibliográfica logo abaixo para saberem mais. Mas só se vocês quiserem 😉

Até breve 👋


Referência bibliográfica:

SCHACTER, Daniel L.; CHIAO, Joan Y.; MITCHELL, Jason P. The seven sins of memory: implications for self. Annals of the New York Academy of Sciences, v. 1001, n. 1, p. 226-239, 2003.

Publicado em Tipos de memórias

Seriam nossas memórias parecidas ou de vários tipos diferentes?

Tempo estimado de leitura: 2 minutos

Você sabia que existem diversos tipos de memória? E que existem diversas formas de classificarmos as memórias? 🤔

Uma das formas de classificação mais simples de memória é a divisão entre memórias de longo prazo e memória de trabalho (ou memória operativa). Você deve estar se perguntando, como assim memória de trabalho? 🤔 Te garanto que é bem fácil de entender! 😉 A memória de trabalho é de curta duração, muito dependente da manutenção da atenção, e tem seus conteúdos fácil e rapidamente esquecidos. Sabe quando uma pessoa que você não conhece te fala o nome e não passa nem 5 minutos e você já esqueceu 😞 e acaba ficando com vergonha de perguntar o nome dela de novo 😳? Ou quando estamos lendo uma frase em um livro e alguém nos interrompe e ficamos com dificuldade de lembrar exatamente o que estávamos lendo? Nessas situações nós utilizamos a memória de trabalho de forma a guardar e manipular informações de forma temporária. É um sistema bastante limitado e diferente do das memórias de longo prazo, porém essencial. Imagine só como seria ler um livro ou mesmo essa postagem sem poder utilizar a memória de trabalho… Não seria possível entender absolutamente nada! 🤯

As memórias de longo prazo são aquelas que conseguem permanecer conosco por maior tempo (minutos, horas, meses, décadas) e esse tipo de memória é menos dependente da atenção e menos limitada. Elas se subdividem em memórias não-declarativas e declarativas. Sendo as declarativas aquelas que conseguimos facilmente relatar 😀, são os fatos (todo o conhecimento que você tem 🧠📚) e eventos de que nos lembramos 🌠🛫. Já as não-declarativas são um pouco mais complicadas, nós não conseguimos relatá-las com facilidade 🤐 e muitas vezes sequer temos consciência delas 😕.

Foto por Luizmedeirosph em Pexels.com

As memórias não-declarativas se subdividem em 1) memórias procedimentais (nosso conhecimentos de habilidades e nossos hábitos); 2) priming; 3) condicionamentos simples e condicionamentos emocionais; 4) não-associativas (como reflexos). Não se preocupe, vamos explicar todos esses subtipos em futuras postagens. 😉

São muitos tipos e subtipos não é mesmo😱? Mas não se preocupe, voltaremos a conversar sobre os tipos de memória e, especialmente, sobre os subtipos novamente para podermos explicar tudo com mais detalhes e revelarmos algumas curiosidades… tudo em futuras postagens ;). Mas se você estiver muito ansioso para saber já logo, você pode dar uma conferida nos nossos artigos de referência ao final da postagem, mas só se você quiser 😉

Até breve 👋


Referências bibliográficas:

SQUIRE, Larry R. Memory systems of the brain: a brief history and current perspective. Neurobiology of learning and memory, v. 82, n. 3, p. 171-177, 2004.

SQUIRE, Larry R.; DEDE, Adam JO. Conscious and unconscious memory systems. Cold Spring Harbor perspectives in biology, v. 7, n. 3, p. a021667, 2015.