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O DNA da justiça, o Innocence Project e os testemunhos

Tempo estimado de leitura: 2 minutos

Hoje venho aqui para te indicar uma minissérie 🎬  estadunidense 🇺🇸 mostra e discute crimes reais que resultaram em condenações de inocentes. No Brasil 🇧🇷, a minissérie foi para o streaming  (você consegue encontrar no Netflix 😉) no ano passado com o nome de “O DNA da Justiça” e nos EUA como “The Innocence Files”. Ela e se baseia no trabalho da organização estadunidense Innocence Project, fundada em 1992, que atua na tentativa de exonerar cidadãos inocentes que foram  condenados injustamente. Para tanto, a organização faz uso, dentre outras técnicas e procedimentos, de testagens de DNA 🧬 e, também, defende reformas no sistema de justiça criminal de forma a prevenir futuras injustiças ⚖.

A minissérie tem 9 episódios e, a temática da memória e do testemunho está presente em todos os episódios já que os sistemas de justiça criminal fazem grade uso de evidências testemunhais. Especificamente, destaco os episódios 4 – Testemunha: O assassinato de Donald Sarpy; 5 – Testemunha: Os julgamentos de Franky Carrillo; 6 – Testemunha: Construindo lembranças e; 7 – Promotoria: Lugar errado, hora errada; em que a temática é abordada em maior profundidade. Logo, logo iniciaremos uma série de postagens sobre a questão do testemunho e da memória. Então, esses episódios podem servir como uma boa introdução 😉 Você pode ver o trailer da minissérie logo abaixo:

No Brasil 🇧🇷, desde dezembro 2016, existe uma associação sem fins lucrativos (O Innocene Project Brasil) que integra a Innocence Network. Conforme a associação, a missão deles é “buscar reverter condenações de inocentes pela Justiça brasileira” e “provocar o debate sobre as causas desse fenômeno e propor soluções para prevenir a sua ocorrência”.

Espero que iniciativas do tipo tenham sucesso e que os sistemas de justiça criminal sejam reformados de forma a evitar condenações de inocentes ⚖. O custo social de condenar o inocente e deixar o verdadeiro culpado solto é grande, especialmente em casos de crimes hediondos‼ Além disso, a pessoa inocente condenada injustamente têm sua vida, a dos familiares e amigos próximos destruída com toda a injustiça ☹. Pense nisso…

Por hoje é só pessoal! Voltamos em breve! Você pode acessar a página da série no Netflix utilizando o link disponibilizado nas referências. Além disso, por lá você consegue acessar os sites do Innocence Project e O Innocence Project Brasil. 😉

Até breve 👋


Referências:

O DNA da justiça. Disponível em: https://www.netflix.com/br/title/80214563

Innocence Project. Disponível em: https://innocenceproject.org/

Innocence Project Brasil. Disponível em: https://www.innocencebrasil.org/

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Memória e o efeito de foco na arma (parte 3)

Tempo estimado de leitura: 2 minutos

Continuando as postagens anteriores: Memória e o efeito de foco na arma (parte 1) e Memória e o efeito de foco na arma (parte 2), continuaremos discutindo o efeito foco na arma.  Se você ainda não leu as duas primeiras postagens, é só clicar para dar uma olhadinha 😉

Você talvez esteja se perguntando: Mas então, como fica a questão? 🤔  Nenhuma das duas hipóteses foram definitivamente comprovadas e ambas permanecem como alternativas explicativas para os prejuízos de desempenho e as dificuldades de memória relacionadas. Ambas as hipóteses possuem algum grau de comprovação utilizando várias metodologias de pesquisa, porém mais estudos cada vez mais diversificados e complexos são necessários para entendermos melhor a questão 📚 🔍🧩. Algumas evidencias, no entanto, se destacam e apontam caminhos e possibilidades 🧭.

Como os efeitos e situações para ambas as hipóteses explicativas (alerta relacionado à  arma/presença de itens não-usuais) são de certa forma parecidos, têm-se considerado que passemos a nos referir ao efeito de foco na arma como efeito de saliência de objeto (em inglês: object saliency effect) ou foco de característica saliente (em inglês: salient feature focus) 📌.

photo of man holding rifle
Photo by Maurício Mascaro on Pexels.com

A meta-análise (que é uma técnica estatística de integração de resultados de vários estudos diferentes e é considerado um padrão ouro de evidências 😉) de Fawcett e colaboradores, observou que ambas as hipóteses apresentam efeitos relevantes. De acordo com os autores, os resultados sugerem a existência de um mecanismo subjacente comum (por exemplo, a excitação fisiológica positiva e negativa) ou que a excitação fisiológica relacionada à presença de armas 😟 e a situação/presença de objeto incomum 😦 afetariam o desempenho de memória (isto sugeriria que o efeito conhecido como foco de arma seja uma espécie de  propriedade emergente dessa interação).

Mesmo que não descubramos o porquê tão cedo, temos de estar atentos aos impactos relacionados ao efeito nos testemunhos e melhor preparamos os nossos sistemas de investigação e justiça para lidar com tais impactos 💡. É essencial, também, que os jurados saibam sobre os potenciais impactos desse efeito, de forma a estarem em melhores condições de avaliarem o conjunto de evidências apresentadas e para que se alcance sentenças mais justas 👩‍⚖️ 👨‍⚖️.

Por hoje é só pessoal! Voltamos em breve! Você pode conferir a referência acadêmica principal utilizada para a escrita desse post logo abaixo. Você consegue ter acesso ao artigo em PDF utilizando o Google Acadêmico ou clicando diretamente na referência. 😉

Até breve 👋


Referência bibliográfica:

FAWCETT, Jonathan M. et al. Of guns and geese: A meta-analytic review of the ‘weapon focus’ literature. Psychology, Crime & Law, v. 19, n. 1, p. 35-66, 2013.

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Memória e o efeito de foco na arma (parte 2)

Tempo estimado de leitura: 2 minutos

Continuando a postagem anterior: Memória e o efeito de foco na arma (parte 1), há várias tentativas de explicação para o efeito de foco na arma. Se você ainda não leu a primeira parte da postagem, dê uma olhadinha 😉


Por uma outra via de explicação, algum objeto (uma arma, por exemplo) que não é comum dentro do esquema que representa aquele cenário passa a demandar um maior processamento 🧠 e como consequência os demais detalhes periféricos “acabam por serem enfraquecidos”.

Imagine a cena, você está em uma cafeteria e de repente aparece um homem ameaçando matar um refém se não lhe derem dinheiro. No entanto, para a sua surpresa,  esse refém é um perturbado ganso canadense 😯. Acredite você ou não, isso aconteceu no Canadá e dado o absurdo da situação, as pessoas aparentemente gastaram mais tempo prestando atenção no ganso do que no ladrão 🤯.

grayscale photography of duck on water
Photo by Kevin Bidwell on Pexels.com

Pesquisas 🔍 têm demonstrado que nós tendemos a prestar mais atenção em objetos que são importantes ou tenham algum valor informacional para nós. Quando nós somos surpreendidos, por objetos inesperados nosso foco atencional 🛎 é direcionado para esse objeto e consequentemente as outras informações acabam sendo processadas como que em segundo plano.

De acordo com hipótese de itens não-usuais (unusual item hypothesis), as armas são consideras objetos incomuns em muitos contextos e, consequentemente, não são compatíveis com as nossas expectativas relacionadas aquele contexto. Como consequência da tentativa do nosso cérebro de resolver esse conflito de expectativa, os detalhes periféricos (como o rosto do perpetrador) acabam por não serem adequadamente registrados e acabamos por ter dificuldade em relembrá-los mais tarde 😓.

Por hoje é só pessoal! Voltamos em breve! Você pode conferir a referência acadêmica principal utilizada para a escrita desse post logo abaixo. Você consegue ter acesso ao artigo em PDF utilizando o Google Acadêmico ou clicando diretamente na referência. 😉

Até breve 👋


Referência bibliográfica:

FAWCETT, Jonathan M. et al. Of guns and geese: A meta-analytic review of the ‘weapon focus’ literature. Psychology, Crime & Law, v. 19, n. 1, p. 35-66, 2013.