Publicado em Funcionamento da memória

6 crenças incorretas sobre o funcionamento da memória

Tempo estimado de leitura: 3 minutos

Nossas crenças sobre o funcionamento da memória podem ter amplas implicações. Um estudo 🔍 buscou investigar crenças errôneas sobre o funcionamento da memória com uma amostra representativa (isto é, com um grupo de pessoas que reflete as características de uma população-alvo maior) da população estadunidense 🇺🇲. O grau de concordância com as crenças foi investigado através de entrevistas por chamadas telefônicas 🕿. As respostas dos entrevistados foram comparadas  com a opinião de especialistas e, também, de acadêmicos ligados à Psicologia. Mas quais implicações poderiam ser essas? 🤔

Simons e Chabris, os autores da pesquisa, nos oferecem algumas situações ilustrativas: “… a mídia confunde o esquecimento normal e a distorção inadvertida da memória com engano intencional, os jurados emitem veredictos baseados em intuições falhas sobre a precisão e confiança do testemunho, e os alunos não entendem o papel da memória na aprendizagem”. Dessas situações, talvez os impactos mais danosos possam ser encontrados nas questões envolvendo as esferas judiciário-criminal ⚖ (conforme já indicamos em várias postagens no nosso blog 😉). Vamos então aos resultados?

Os resultados da pesquisa apontam que a grande maioria das pessoas possuem crenças sobre o funcionamento da memória que vão na contramão  de consensos científicos já estabelecidos a décadas 🤯. E isso é perigoso! 😱 Conforme apontam os autores, “a prevalência de crenças errôneas no público em geral implica que equívocos semelhantes provavelmente são comuns entre os jurados” 😧. Os resultados também apontam para a necessidade de uma melhor comunicação e democratização do conhecimento científico relacionado à memória 📝 💬. Mas quais seriam essas crenças?

clear light bulb placed on chalkboard
Photo by Pixabay on Pexels.com

As principais crenças, investigadas e reportadas pelos pesquisadores no artigo de 2011, foram:

  1. Amnésia 🆔: 82,7% dos entrevistados concordaram que “as pessoas que sofrem de amnésia geralmente não conseguem se lembrar do próprio nome ou identidade”.
  2. Testemunho confiante ☑︎: 37,1% dos participantes concordaram que “o depoimento de uma testemunha ocular confiante deve ser evidência suficiente para condenar um réu de um crime”.
  3. Memória de vídeo 📹 📷: 63,0% dos entrevistados concordaram que “a memória humana funciona como uma câmera de vídeo, registrando com precisão os eventos que vemos e ouvimos para que possamos revisá-los e inspecioná-los mais tarde”.
  4. Memória permanente ⏺: 47,6% dos entrevistados concordaram que ‘‘ depois de vivenciar um evento e formar uma memória dele, essa memória não muda ’’.
  5. Hipnose 😵: 55,4% dos entrevistados concordaram que ‘‘ a hipnose é útil para ajudar as testemunhas a lembrar com precisão detalhes de crimes ’’.
  6. Eventos inesperados 👀: 77,5% dos entrevistados concordaram que “as pessoas geralmente notam quando algo inesperado entra em seu campo de visão, mesmo quando estão prestando atenção em outra coisa”.

Ressalto, novamente, que essas crenças estão na contramão de consensos científicos estabelecidos a décadas e que a totalidade (ou quase totalidade) dos especialistas consultados na pesquisa deram respostas desaprovam as seis crenças apontadas❗

Infelizmente, desconheço estudo semelhante realizado com a população brasileira. Porém dado o grau de trocas culturais (especialmente se levarmos em conta os filmes e séries 🎬 estadunidenses sobre direito e crimes assistidos no Brasil) e a influência estadunidense sobre o Brasil, as crenças investigadas e a concordância geral da nossa população não devem deferir muito.

Voltaremos a abordar cada uma dessas crenças, com maiores detalhes, em futuras postagens do blog 😉

Por hoje é só pessoal! Voltamos em breve! Você pode conferir a referência acadêmica principal utilizada para a escrita desse post logo abaixo. Você consegue ter acesso ao artigo em PDF utilizando o Google Acadêmico ou clicando diretamente na referência. 😉

Até breve 👋


Referência bibliográfica:

SIMONS, Daniel J.; CHABRIS, Christopher F. What people believe about how memory works: A representative survey of the US population. PloS one, v. 6, n. 8, p. e22757, 2011.

Autor:

Comecei a pesquisar sobre memória desde os primeiros períodos da minha graduação em Psicologia na UFMG e sigo pesquisando sobre tanto dentro da Psicologia/Neurociências e, eventualmente, da Literatura. Sou bacharel em psicologia pela UFMG, especialista em saúde mental e atenção psicossocial pela Estácio e, mestrando em neurociências pela UFMG. Fiz um período de intercâmbio no Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL). E agora, também, escrevo sobre memória no nosso blog ;)

Deixe um comentário ;)