Publicado em Falhas de memória, Funcionamento da memória, Memória e testemunho

A questão da confiança e os testemunhos oculares: Vale a inicial?

Tempo estimado de leitura: 2 minutos

Nessa nova postagem continuaremos a falar sobre a questão da confiança, dentro da nossa série de postagens sobre a questão do testemunho e da memória 📝. A postagem inicial da série é “O DNA da justiça, o Innocence Project e os testemunhos” e a postagem subsequente é sobre “A questão da confiança e os testemunhos oculares”. Vale a pena você dar uma olhadinha lá 👀 e pegar a indicação de uma série 🎬 do Netflix relacionada à temática 😉

 Como te informamos na postagem anterior, tendemos a utilizar expressões de confiança dos nossos interlocutores 💬 como um índice de veracidade ☑ do relato de memória do nosso interlocutor. E nossas instituições e, especialmente, o sistema de justiça criminal tendem a fazer forte uso tanto de testemunhos de memória quanto da confiança, o que tem levado à problemas como as condenações indevidas de inocentes❗ Entretanto, ainda que desejássemos é muitas vezes inviável deixarmos de utilizar relatos de memória e , mesmo, relatos de expressões de confiança dos nossos interlocutores 💬 em nosso dia a dia e instituições. No entanto, podemos e devemos tomar medidas e precauções quanto a essa utilização, especialmente quando essa utilização pode vir associada à altos custos em quaisquer esferas (individual, coletiva, financeira, etc.)❗

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Photo by Nathan Cowley on Pexels.com

Tem sido apontado que devemos tomar uma série de precauções com as evidências de memória. Como qualquer outra evidência criminal, elas devem ser coletadas, preservadas e analisadas com um grau mínimo de rigor 📌. Especificamente sobre a questão da confiança, já há uma espécie de consenso de há uma relação positiva entre a confiança expressa por uma testemunha e o desempenho de reconhecimento 📄 . Porém, essa relação é boa apenas quando consideramos o relato de confiança inicial da testemunha (veja o artigo de Wixted e colaboradores indicado nas recomendações para uma discussão aprofundada 🔍) e quando coletado sem que ocorram induções da testemunha 🧭.

Lembro você, aqui, que nossas memórias são maleáveis e a repetição de uma informação e/ou contato com diferentes fontes de relatos tende a gerar alterações/intrusões/omissões em nossas memórias e consequentemente nos nossos relatos subsequentes daquela recordação 😱 🤯. Portanto, é de suma importância que seja registrado o testemunho e o(s) relato(s) de confiança da testemunha nas informações prestadas 📌. Esse relato deve ser registrado e preservado, preferencialmente em formato audiovisual 📹 (embora outros registros também sejam válidos, úteis e possam ser utilizados 📝), de forma que possa ser facilmente reproduzido e consultado posteriormente. Dessa forma podemos mais facilmente evitar/detectar uma parte de más práticas e, também, obtermos uma menor taxa de condenações de inocentes e um sistema de justiça criminal mais confiável. ⚖

Voltamos em breve! 😉 Além do artigo de Wixted e colaboradores, deixo para vocês uma referência em português relacionada à temática. Vocês encontrarão na referência em português uma discussão mais aprofundada, além de avaliações e sugestões relacionadas a essas questões levando em consideração a situação do sistema de justiça criminal brasileiro. Você consegue ter acesso aos artigos em PDF utilizando o Google Acadêmico ou clicando diretamente na referência. 😉

Até breve 👋


Referência bibliográfica:

SOUSA, Weslley Santos; DE FARIA SANTOS, Matheus Philippe; JAEGER, Antônio. Aspectos teóricos e implicações práticas da conformidade de memória: uma revisão. Revista Psicologia em Pesquisa, v. 14, n. 3, p. 152-172, 2020.

WIXTED, John T. et al. Initial eyewitness confidence reliably predicts eyewitness identification accuracy. American Psychologist, v. 70, n. 6, p. 515, 2015.

Autor:

Comecei a pesquisar sobre memória desde os primeiros períodos da minha graduação em Psicologia na UFMG e sigo pesquisando sobre tanto dentro da Psicologia/Neurociências e, eventualmente, da Literatura. Sou bacharel em psicologia pela UFMG, especialista em saúde mental e atenção psicossocial pela Estácio e, mestrando em neurociências pela UFMG. Fiz um período de intercâmbio no Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL). E agora, também, escrevo sobre memória no nosso blog ;)

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