Publicado em Tipos de memórias

Memórias de longa duração: episódicas e semânticas

Tempo estimado de leitura: 2 minutos

Hoje vamos retomar as divisões da memória, nossa primeira postagem sobre o tema foi Seriam nossas memórias parecidas ou de vários tipos diferentes?. Para poder acompanhar melhor essa postagem, recomendo dar uma visitada na postagem linkada 🔗 antes 😉

Relembrando uma das divisões importantes 🔖: as memórias podem ser divididas entre memórias de curto e longo prazo. As memórias de longo prazo são aquelas que conseguem permanecer conosco por mais tempo (minutos, horas, meses, décadas) e podem ser subdivididas entre memórias declarativas (que são conscientes e que conseguimos contar para uma outra pessoa com certa facilidade 🗣️) e as não-declarativas que são difíceis de colocarmos em palavras (como por exemplo, relatar como andar de bicicleta 🚴🏽‍♂️ ou dirigir um carro 🚗).

Dentro das memórias declarativas, ainda há uma outra subdivisão 🤯: memórias episódicas (relacionada à eventos e experiências) e e semânticas (relacionada à fatos e conceitos)? Mas o que seria isso? 🤔

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A memória episódica está relacionada com a retenção de eventos específicos situados no tempo e espaço, ligados à uma espécie de senso de que o evento relembrado ocorreu da forma como foi recordado e de que foi vivenciado em primeira pessoa 🤯. Alguns exemplos dessas memórias são: o nascimento de um filho(a), um pedido de novado/casamento,  o próprio casamento, recordações de viagens, recordações de saídas com os amigos(as), dentre outras. Em resumo, as memórias que consideramos mais importantes para nós 🤗

Já a memória semântica é a responsável pela acumulação de conhecimento do mundo, São exemplos delas: o significado das palavras, atributos sensoriais (como cheiro, gosto, cor), e conhecimentos gerais 📚📜. São memórias também importantes, mas que não são situadas no tempo e no espaço, ou seja, temos muitas dificuldades de conseguir dizer quando e onde as adquirimos 🤔.

As memórias episódicas e semânticas, porém, não são completamente isoladas, hoje sabe-se que  elas podem interagir entre si. Voltaremos a esse assunto em futuras postagens 😉

Por hoje é só pessoal! Voltamos em breve! Você pode conferir as referências acadêmicas utilizadas para a escrita desse post logo abaixo. Você consegue ter acesso aos artigos em pdf utilizando o Google Acadêmico ou clicando diretamente nas referências 😉.

Até breve 👋


Referências bibliográficas:

SQUIRE, Larry R. Declarative and nondeclarative memory: Multiple brain systems supporting learning and memory. Journal of cognitive neuroscience, v. 4, n. 3, p. 232-243, 1992.

TULVING, Endel. Episodic memory: From mind to brain. Annual review of psychology, v. 53, n. 1, p. 1-25, 2002.

RODRIGUES, Gabriela Santos; JAEGER, Antônio. O uso de tarefas experimentais para o estudo da memória episódica. Ciências & Cognição, v. 23, n. 1, p. 80-90, 2018.

Publicado em Sono e memória

Sono e memória? Qual a relação?

Tempo estimado de leitura: 2 minutos

Todos nós passamos uma boa parte de nossas vidas dormindo, já reparou? 🤔 Não sem motivos várias pesquisas tem tentado entender o papel do sono e por que temos a necessidade de dormir tanto.😴 Você sabia que os cientistas começaram a reconhecer os benefícios do sono para memórias declarativas já a aproximadamente um século? 🤓

Uma área de pesquisa que tem crescido, em especial nos últimos anos, e que pode nos levar a entender melhor o papel do sono é a que investiga a sua relação com as memórias. 📝 Será possível que o sono nos ajude a memorizar melhor? 🤔 Será possível que ele nos ajude a esquecer coisas que devemos esquecer?🤔

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As pesquisas têm demonstrado que o sono auxilia diversos tipos de memória, sejam elas declarativas (as que conseguimos contar com palavras) ou não-declarativas (não conseguimos contar com palavras, por exemplo aprendizados motores) e que ele possui um papel crucial na consolidação dessas memórias. Enquanto você dorme, seu cérebro está ocupado reativando e estabilizando memórias importantes em locais de armazenamento apropriados. Incrível, não é mesmo? 😎

Várias pesquisas também têm destacado o papel do sono para o esquecimento. 😱 Embora muitos talvez possam pensar que esquecer é algo ruim, o esquecimento tem papel fundamental, principalmente, para a superação de episódios traumáticos. 🤯 O esquecimento pode resultar de interferência ou decaimento, mas também é possível que o cérebro ‘marque’ as informações para processamento preferencial durante o sono, aprimorando algumas memórias e permitindo que outras pessoas desapareçam. 😲Pesquisas também têm demonstrado que certos aspectos das experiências emocionais , também, podem ser marcados para o esquecimento preferencial durante o sono, reduzindo gradualmente a resposta afetiva a um evento traumático (por exemplo). 😌

Ainda temos muito a aprender sobre os mecanismos de consolidação do sono e da memória e ainda temos muitas pesquisas para realizarmos, mas você pode aprender um pouco mais lendo o artigo de revisão citado nas referências bibliográficas. 😉

Até breve 👋


Referências bibliográficas:

CHAMBERS, Alexis M. TheCHAMBERS, Alexis M. The role of sleep in cognitive processing: focusing on memory consolidation. Wiley Interdisciplinary Reviews: Cognitive Science, 2017, 8.3: e1433.

Publicado em Falhas de memória

Os sete “pecados” da memória

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Tendemos a acreditar e somos socialmente cobrados a ter uma memória imbatível, armazenando uma infinidade de informações e recordando-as sem erros ou omissões, não é mesmo? 🤔 No entanto, infelizmente 😥, a nossa memória não funciona assim. Em nosso dia a dia mesmo coisas muito banais podem com frequência resultar em erros ou experiências de memórias abaixo do esperado 😮. Tais falhas podem ocasionar impactos diversos desde leves (como confundir uma informação e esquecer algo sem grandes implicações) até impactos mais graves como no âmbito jurídico/penal em que falhas podem resultar em falsos testemunhos e na condenação de pessoas inocentes 😟.

O artigo de Schacter, Chiao e Mitchell (2003) nos informa sobre sete “pecados” da memória e suas implicações para o self (você pode conferir o artigo nas referências ao final do post, mas só se você quiser 😉 ). Três desses sete “pecados” são referentes a tipos de esquecimento (a transitoriedade; a distração; o bloqueio), três a diferentes tipos de distorções (atribuição incorreta, a sugestionabilidade; o viés) e um referente a intrusão de memórias (a persistência). Vamos conhecer rapidinho sobre cada um deles 🔍?

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Os “pecados” do esquecimento são: 1) a perda da acessibilidade da recordação ao longo do tempo (como o simples esquecer de eventos de um passado distante); 2) os lapsos de atenção que resultam em esquecimento (como o esquecer da localização de suas chaves); 3) o bloqueio temporário de recordações (como o fenômeno ponta da língua). Já os “pecados” de distorção seriam: 4) a atribuição incorreta de memória a uma fonte (como confundir um sonho como uma memória de algo que realmente aconteceu); 5) a implantação de memórias sobre coisas que nunca aconteceram (através do uso de questões sugestivas que podem resultar em fenômenos de falsas memórias, por exemplo) e ; 6) o viés, em que o conhecimento e crenças atuais distorcem nossas memórias do passado (como quando nos lembramos de atitudes passadas sob a ótica de nossas atuais atitudes). Já o pecado do tipo intrusão de memórias, denominado persistência (7), seriam recordações indesejadas que nós não conseguimos nunca esquecer (como as memórias traumáticas de uma guerra).

E, repare bem, essa é só uma das listas. 😱 Há diversos outros “pecados” da memória sendo cometidos constantemente 🤯. Vou lhes explicar futuramente sobre outros erros 😉

Até lá, vocês podem consultar a referencia bibliográfica logo abaixo para saberem mais. Mas só se vocês quiserem 😉

Até breve 👋


Referência bibliográfica:

SCHACTER, Daniel L.; CHIAO, Joan Y.; MITCHELL, Jason P. The seven sins of memory: implications for self. Annals of the New York Academy of Sciences, v. 1001, n. 1, p. 226-239, 2003.

Publicado em Tipos de memórias

Seriam nossas memórias parecidas ou de vários tipos diferentes?

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Você sabia que existem diversos tipos de memória? E que existem diversas formas de classificarmos as memórias? 🤔

Uma das formas de classificação mais simples de memória é a divisão entre memórias de longo prazo e memória de trabalho (ou memória operativa). Você deve estar se perguntando, como assim memória de trabalho? 🤔 Te garanto que é bem fácil de entender! 😉 A memória de trabalho é de curta duração, muito dependente da manutenção da atenção, e tem seus conteúdos fácil e rapidamente esquecidos. Sabe quando uma pessoa que você não conhece te fala o nome e não passa nem 5 minutos e você já esqueceu 😞 e acaba ficando com vergonha de perguntar o nome dela de novo 😳? Ou quando estamos lendo uma frase em um livro e alguém nos interrompe e ficamos com dificuldade de lembrar exatamente o que estávamos lendo? Nessas situações nós utilizamos a memória de trabalho de forma a guardar e manipular informações de forma temporária. É um sistema bastante limitado e diferente do das memórias de longo prazo, porém essencial. Imagine só como seria ler um livro ou mesmo essa postagem sem poder utilizar a memória de trabalho… Não seria possível entender absolutamente nada! 🤯

As memórias de longo prazo são aquelas que conseguem permanecer conosco por maior tempo (minutos, horas, meses, décadas) e esse tipo de memória é menos dependente da atenção e menos limitada. Elas se subdividem em memórias não-declarativas e declarativas. Sendo as declarativas aquelas que conseguimos facilmente relatar 😀, são os fatos (todo o conhecimento que você tem 🧠📚) e eventos de que nos lembramos 🌠🛫. Já as não-declarativas são um pouco mais complicadas, nós não conseguimos relatá-las com facilidade 🤐 e muitas vezes sequer temos consciência delas 😕.

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As memórias não-declarativas se subdividem em 1) memórias procedimentais (nosso conhecimentos de habilidades e nossos hábitos); 2) priming; 3) condicionamentos simples e condicionamentos emocionais; 4) não-associativas (como reflexos). Não se preocupe, vamos explicar todos esses subtipos em futuras postagens. 😉

São muitos tipos e subtipos não é mesmo😱? Mas não se preocupe, voltaremos a conversar sobre os tipos de memória e, especialmente, sobre os subtipos novamente para podermos explicar tudo com mais detalhes e revelarmos algumas curiosidades… tudo em futuras postagens ;). Mas se você estiver muito ansioso para saber já logo, você pode dar uma conferida nos nossos artigos de referência ao final da postagem, mas só se você quiser 😉

Até breve 👋


Referências bibliográficas:

SQUIRE, Larry R. Memory systems of the brain: a brief history and current perspective. Neurobiology of learning and memory, v. 82, n. 3, p. 171-177, 2004.

SQUIRE, Larry R.; DEDE, Adam JO. Conscious and unconscious memory systems. Cold Spring Harbor perspectives in biology, v. 7, n. 3, p. a021667, 2015.

Publicado em Funcionamento da memória

Mas afinal, o como funciona a memória?

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Todos nós sabemos o quanto nossas recordações são importantes, não é mesmo 😉 ? É fácil nos lembrarmos de experiências e de pessoas que nós marcaram tão intensamente, que fica difícil de mesmo nos imaginamos se tal fato/experiência não tivessem acontecido e/ou se não houvéssemos encontrado determinadas pessoas 🤗. Não sem motivos, um de nossos maiores medos é justamente perder a memória! Mas mesmo sendo tão importante, poucas vezes paramos para pensar… Mas afinal, como funciona a memória 🤔?

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Talvez uma das ideias mais equivocadas quando pensamos em memória seja a de imaginá-la funcionando como uma câmera (📷📹) cujas recordações são registradas de forma precisa e estática pra toda a vida (como num filme ou fotografia). Nossa memória, infelizmente não funciona assim. Na verdade ela mais se pareceria talvez com aquela sua tentativa desesperada de anotar tudo 📝 o que um professor ligeiro fala em uma aula, meio impossível não é mesmo 😱? Acabam restando no caderno (🗒) aquele monte de coisas desconexas escritas em uma letra que às vezes nem mesmo nós conseguimos ler não é mesmo 🤔? Sem contar que algumas coisas escritas ficam totalmente fora de contexto e simplificadas, não dá pra passar, por exemplo, um vídeo que o professor te mostrar ali na aula pro seu caderno, não é mesmo?

Nossa memória infelizmente está, portanto, sujeita a inúmeros erros, distorções e ilusões 😥. E o mais intrigante disso tudo é que nem as nossas memórias mais emocionais, que todos nós temos enorme confiança de que são precisas, estão sujeitas a falhas. Pesquisas após os atentados de 09 de setembro de 2001 nos EUA, por exemplo, têm demonstrado que as pessoas tendem a superestimar a precisão de suas memórias sobre o atentado. Mesmo conseguindo relatar com muitos detalhes (como o que elas estavam fazendo quando os atentados aconteceram, o que elas estavam assistindo, como foi, etc.) e com alta confiança, as taxas de erros (que foram maiores) e a de acertos reais sobre o relatado não correspondiam a esse alto grau de detalhamento e excesso de confiança. Em suma, os participantes com freqência relatavam falsas memórias com alto grau de confiança e detalhamento que para elas eram indistinguíveis das recordações reais. Assustador 😱, não é mesmo? Vamos falar sobre essa relação entre memórias e emoção novamente em um outro post 😉.

Por hoje é só pessoal! Voltamos na próxima semana com um novo 🍪 da memória! Quem quiser pode conferir as referências acadêmicas utilizadas para a escrita desse post logo abaixo. Vocês conseguem ter acesso aos artigos em pdf utilizando o Google Acadêmico ou clicando diretamente nas referências 😉.

Até breve 👋

Publicado em Comunicados gerais

Apresentação e memória

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Olá queridos leitores, é com prazer que lhes escrevo esta primeira mensagem de apresentação pessoal, do blog 😁.

Sou Matheus, um pesquisador de memória desde os tempos de iniciação científica da graduação em psicologia da UFMG, há muito, muito tempo atrás 🤓. Atualmente estou no mestrado em Neurociências também na UFMG e avinhem só, trabalhando com memória novamente. Minhas pesquisas, em psicologia, tiveram como foco inicial a influência da emoção sobre a recordação e no momento estou trabalhando com falsas memórias. Fiz também algumas outras pesquisas, como o trabalho com normas de um banco de imagem para uso em pesquisas com memória. Fora da psicologia, realizei vários trabalhos envolvendo literatura e memória. Tem tudo no Lattes, se vocês quiserem conferir 😉.

Nosso blog tem como objetivo trazer pequenos textos (os nossos cookies sobre memória 🍪) que aos poucos irão satisfazer a sua curiosidade sobre essa temática tão importante em nossas vidas. Afinal, o que somos nós sem nossas memórias? O blog, assim como um cookie, não vai conseguir te encher, de uma vez só, de matéria(l) 😉. Vamos procurar te satisfazer de uma forma prazerosa e aos pouquinhos (não vai ter muitos textões, nem coisa muito complicada e cheia de linguagem acadêmica). As postagens sempre seguirão acompanhadas por referências acadêmicas (linkados sempre que possível ao texto em pdf) pra quem quiser um complementozinho sobre o cookie de memória, e eu também tentarei trazer indicações de livros, filmes, vídeos e séries sempre que possam ajudar na digestão dos textos (🍪) mais sofisticados 😉.

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Mas de onde vêm o nome memorando? Quando pesquisamos no Google “significado memorando” nos é retornado o memorando adjetivo e o substantivo. Como adjetivo memorando quer dizer algo memorável e, tem como origem a palavra em latim memorandus, ou seja, algo que ‘que deve ser lembrado’. O gerundivo de memorāre seria ‘memorar, lembrar, relembrar, celebrar’ e, na linguagem familiar, ‘contar, dizer’. Já o memorando substantivo corresponde a uma nota escrita utilizada tanto em diplomacia quanto em questões comerciais e mesmo como mensagem, breve e informal. Acho que já ficou claro o porquê do nome, não é mesmo? 😉.

O blog inicialmente surgiu em um trabalho de uma disciplina eletiva que fiz no Amerek, o curso de especialização em comunicação da ciência – UFMG, e por isso algumas postagens são bem antigas e há um longo intervalo entre elas e essa apresentação 😉 Mas agora em 2021, o blog veio a público pra valer e novos conteúdos serão produzidos e logo, logo estarão publicados 😎.

Até breve 👋