Publicado em Falhas de memória, Funcionamento da memória

Memória e o efeito de foco na arma (parte 1)

Tempo estimado de leitura: 2 minutos

Muitas pessoas acreditam que nossa memória funcione como uma espécie de máquina filmadora 📹 📷 e que nos lembraremos de algo simplesmente porque aquilo é algo importante, porém, a realidade está longe disso. Um efeito de memória curioso que têm despertado atenção de pesquisadores já a algum tempo é o chamado efeito foco na arma (weapon focus no inglês) 🔫. Mas o que seria isso?

Talvez você já conheça alguém ou até mesmo já passou por um assalto à mão armada (por exemplo) :(, e quando precisou dar o testemunho e dizer sobre os detalhes do ocorrido enfrentou certa dificuldade de contar os detalhes periféricos à arma (por exemplo características do local, características da pessoa portanto a arma, dentre outras) 😟 . Essa dificuldade é comum e sua ocorrência pode estar, em parte, relacionada a esse efeito. Mas como isso acontece? 🤔 

pessoa segurando uma arma de  plástico branco
Photo by cottonbro on Pexels.com

Há várias tentativas de explicação para esse efeito e vamos falar sobre elas nessa e nas próximas postagens. Uma dessas hipóteses está ligada ao nível de alerta e à atenção. Pesquisas 🔍 têm sugerido que esse efeito poderia ser uma espécie de efeito colateral do foco atencional diferenciado ocasionado pelo alto nível de alerta relacionado à situação. Quando acontece um assalto à mão armada (por exemplo), a nossa atenção é capturada pela arma devido aos riscos envolvidos e, em decorrência, os detalhes ao redor podem ficar “um tanto quanto desfocados” 😰.

O que “gravamos” 📝 em nossa memória é fortemente dependente do nosso foco atencional! 👀 Até é possível que registremos e recordemos algo que prestamos pouca atenção ou mesmo prestamos nenhuma atenção consciente, todavia esse registro é, constantemente, mais fraco e mais sujeito à erros e omissões. E esses erros e omissões de memória podem ter consequências sérias dependo do contexto (falaremos sobre isso em postagens futuras 😉 ).

Por hoje é só pessoal! Voltamos em breve! Você pode conferir a referência acadêmica principal utilizada para a escrita desse post logo abaixo. Você consegue ter acesso ao artigo em PDF utilizando o Google Acadêmico ou clicando diretamente na referência. 😉

Até breve 👋


Referência bibliográfica:

FAWCETT, Jonathan M. et al. Of guns and geese: A meta-analytic review of the ‘weapon focus’ literature. Psychology, Crime & Law, v. 19, n. 1, p. 35-66, 2013.

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Os sete “pecados” da memória

Tempo estimado de leitura: 2 minutos

Tendemos a acreditar e somos socialmente cobrados a ter uma memória imbatível, armazenando uma infinidade de informações e recordando-as sem erros ou omissões, não é mesmo? 🤔 No entanto, infelizmente 😥, a nossa memória não funciona assim. Em nosso dia a dia mesmo coisas muito banais podem com frequência resultar em erros ou experiências de memórias abaixo do esperado 😮. Tais falhas podem ocasionar impactos diversos desde leves (como confundir uma informação e esquecer algo sem grandes implicações) até impactos mais graves como no âmbito jurídico/penal em que falhas podem resultar em falsos testemunhos e na condenação de pessoas inocentes 😟.

O artigo de Schacter, Chiao e Mitchell (2003) nos informa sobre sete “pecados” da memória e suas implicações para o self (você pode conferir o artigo nas referências ao final do post, mas só se você quiser 😉 ). Três desses sete “pecados” são referentes a tipos de esquecimento (a transitoriedade; a distração; o bloqueio), três a diferentes tipos de distorções (atribuição incorreta, a sugestionabilidade; o viés) e um referente a intrusão de memórias (a persistência). Vamos conhecer rapidinho sobre cada um deles 🔍?

Foto por Nathan Cowley em Pexels.com

Os “pecados” do esquecimento são: 1) a perda da acessibilidade da recordação ao longo do tempo (como o simples esquecer de eventos de um passado distante); 2) os lapsos de atenção que resultam em esquecimento (como o esquecer da localização de suas chaves); 3) o bloqueio temporário de recordações (como o fenômeno ponta da língua). Já os “pecados” de distorção seriam: 4) a atribuição incorreta de memória a uma fonte (como confundir um sonho como uma memória de algo que realmente aconteceu); 5) a implantação de memórias sobre coisas que nunca aconteceram (através do uso de questões sugestivas que podem resultar em fenômenos de falsas memórias, por exemplo) e ; 6) o viés, em que o conhecimento e crenças atuais distorcem nossas memórias do passado (como quando nos lembramos de atitudes passadas sob a ótica de nossas atuais atitudes). Já o pecado do tipo intrusão de memórias, denominado persistência (7), seriam recordações indesejadas que nós não conseguimos nunca esquecer (como as memórias traumáticas de uma guerra).

E, repare bem, essa é só uma das listas. 😱 Há diversos outros “pecados” da memória sendo cometidos constantemente 🤯. Vou lhes explicar futuramente sobre outros erros 😉

Até lá, vocês podem consultar a referencia bibliográfica logo abaixo para saberem mais. Mas só se vocês quiserem 😉

Até breve 👋


Referência bibliográfica:

SCHACTER, Daniel L.; CHIAO, Joan Y.; MITCHELL, Jason P. The seven sins of memory: implications for self. Annals of the New York Academy of Sciences, v. 1001, n. 1, p. 226-239, 2003.