Publicado em Sono e memória

Sono e memória? Qual a relação?

Todos nós passamos uma boa parte de nossas vidas dormindo, já reparou? 🤔 Não sem motivos várias pesquisas tem tentado entender o papel do sono e por que temos a necessidade de dormir tanto.😴 Você sabia que os cientistas começaram a reconhecer os benefícios do sono para memórias declarativas já a aproximadamente um século? 🤓

Uma área de pesquisa que tem crescido, em especial nos últimos anos, e que pode nos levar a entender melhor o papel do sono é a que investiga a sua relação com as memórias. 📝 Será possível que o sono nos ajude a memorizar melhor? 🤔 Será possível que ele nos ajude a esquecer coisas que devemos esquecer?🤔

Foto por Lisa Fotios em Pexels.com

As pesquisas têm demonstrado que o sono auxilia diversos tipos de memória, sejam elas declarativas (as que conseguimos contar com palavras) ou não-declarativas (não conseguimos contar com palavras, por exemplo aprendizados motores) e que ele possui um papel crucial na consolidação dessas memórias. Enquanto você dorme, seu cérebro está ocupado reativando e estabilizando memórias importantes em locais de armazenamento apropriados. Incrível, não é mesmo? 😎

Várias pesquisas também têm destacado o papel do sono para o esquecimento. 😱 Embora muitos talvez possam pensar que esquecer é algo ruim, o esquecimento tem papel fundamental, principalmente, para a superação de episódios traumáticos. 🤯 O esquecimento pode resultar de interferência ou decaimento, mas também é possível que o cérebro ‘marque’ as informações para processamento preferencial durante o sono, aprimorando algumas memórias e permitindo que outras pessoas desapareçam. 😲Pesquisas também têm demonstrado que certos aspectos das experiências emocionais , também, podem ser marcados para o esquecimento preferencial durante o sono, reduzindo gradualmente a resposta afetiva a um evento traumático (por exemplo). 😌

Ainda temos muito a aprender sobre os mecanismos de consolidação do sono e da memória e ainda temos muitas pesquisas para realizarmos, mas você pode aprender um pouco mais lendo o artigo de revisão citado nas referências bibliográficas. 😉

Até breve 👋


Referências bibliográficas:

CHAMBERS, Alexis M. TheCHAMBERS, Alexis M. The role of sleep in cognitive processing: focusing on memory consolidation. Wiley Interdisciplinary Reviews: Cognitive Science, 2017, 8.3: e1433.

Publicado em Falhas de memória

Os sete “pecados” da memória

Tendemos a acreditar e somos socialmente cobrados a ter uma memória imbatível, armazenando uma infinidade de informações e recordando-as sem erros ou omissões, não é mesmo? 🤔 No entanto, infelizmente 😥, a nossa memória não funciona assim. Em nosso dia a dia mesmo coisas muito banais podem com frequência resultar em erros ou experiências de memórias abaixo do esperado 😮. Tais falhas podem ocasionar impactos diversos desde leves (como confundir uma informação e esquecer algo sem grandes implicações) até impactos mais graves como no âmbito jurídico/penal em que falhas podem resultar em falsos testemunhos e na condenação de pessoas inocentes 😟.

O artigo de Schacter, Chiao e Mitchell (2003) nos informa sobre sete “pecados” da memória e suas implicações para o self (você pode conferir o artigo nas referências ao final do post, mas só se você quiser 😉 ). Três desses sete “pecados” são referentes a tipos de esquecimento (a transitoriedade; a distração; o bloqueio), três a diferentes tipos de distorções (atribuição incorreta, a sugestionabilidade; o viés) e um referente a intrusão de memórias (a persistência). Vamos conhecer rapidinho sobre cada um deles 🔍?

Foto por Nathan Cowley em Pexels.com

Os “pecados” do esquecimento são: 1) a perda da acessibilidade da recordação ao longo do tempo (como o simples esquecer de eventos de um passado distante); 2) os lapsos de atenção que resultam em esquecimento (como o esquecer da localização de suas chaves); 3) o bloqueio temporário de recordações (como o fenômeno ponta da língua). Já os “pecados” de distorção seriam: 4) a atribuição incorreta de memória a uma fonte (como confundir um sonho como uma memória de algo que realmente aconteceu); 5) a implantação de memórias sobre coisas que nunca aconteceram (através do uso de questões sugestivas que podem resultar em fenômenos de falsas memórias, por exemplo) e ; 6) o viés, em que o conhecimento e crenças atuais distorcem nossas memórias do passado (como quando nos lembramos de atitudes passadas sob a ótica de nossas atuais atitudes). Já o pecado do tipo intrusão de memórias, denominado persistência (7), seriam recordações indesejadas que nós não conseguimos nunca esquecer (como as memórias traumáticas de uma guerra).

E, repare bem, essa é só uma das listas. 😱 Há diversos outros “pecados” da memória sendo cometidos constantemente 🤯. Vou lhes explicar futuramente sobre outros erros 😉

Até lá, vocês podem consultar a referencia bibliográfica logo abaixo para saberem mais. Mas só se vocês quiserem 😉

Até breve 👋


Referência bibliográfica:

SCHACTER, Daniel L.; CHIAO, Joan Y.; MITCHELL, Jason P. The seven sins of memory: implications for self. Annals of the New York Academy of Sciences, v. 1001, n. 1, p. 226-239, 2003.

Publicado em Funcionamento da memória

Mas afinal, o como funciona a memória?

Todos nós sabemos o quanto nossas recordações são importantes, não é mesmo 😉 ? É fácil nos lembrarmos de experiências e de pessoas que nós marcaram tão intensamente, que fica difícil de mesmo nos imaginamos se tal fato/experiência não tivessem acontecido e/ou se não houvéssemos encontrado determinadas pessoas 🤗. Não sem motivos, um de nossos maiores medos é justamente perder a memória! Mas mesmo sendo tão importante, poucas vezes paramos para pensar… Mas afinal, como funciona a memória 🤔?

Foto por Pixabay em Pexels.com

Talvez uma das ideias mais equivocadas quando pensamos em memória seja a de imaginá-la funcionando como uma câmera (📷📹) cujas recordações são registradas de forma precisa e estática pra toda a vida (como num filme ou fotografia). Nossa memória, infelizmente não funciona assim. Na verdade ela mais se pareceria talvez com aquela sua tentativa desesperada de anotar tudo 📝 o que um professor ligeiro fala em uma aula, meio impossível não é mesmo 😱? Acabam restando no caderno (🗒) aquele monte de coisas desconexas escritas em uma letra que às vezes nem mesmo nós conseguimos ler não é mesmo 🤔? Sem contar que algumas coisas escritas ficam totalmente fora de contexto e simplificadas, não dá pra passar, por exemplo, um vídeo que o professor te mostrar ali na aula pro seu caderno, não é mesmo?

Nossa memória infelizmente está, portanto, sujeita a inúmeros erros, distorções e ilusões 😥. E o mais intrigante disso tudo é que nem as nossas memórias mais emocionais, que todos nós temos enorme confiança de que são precisas, estão sujeitas a falhas. Pesquisas após os atentados de 09 de setembro de 2001 nos EUA, por exemplo, têm demonstrado que as pessoas tendem a superestimar a precisão de suas memórias sobre o atentado. Mesmo conseguindo relatar com muitos detalhes (como o que elas estavam fazendo quando os atentados aconteceram, o que elas estavam assistindo, como foi, etc.) e com alta confiança, as taxas de erros (que foram maiores) e a de acertos reais sobre o relatado não correspondiam a esse alto grau de detalhamento e excesso de confiança. Em suma, os participantes com freqência relatavam falsas memórias com alto grau de confiança e detalhamento que para elas eram indistinguíveis das recordações reais. Assustador 😱, não é mesmo? Vamos falar sobre essa relação entre memórias e emoção novamente em um outro post 😉.

Por hoje é só pessoal! Voltamos na próxima semana com um novo 🍪 da memória! Quem quiser pode conferir as referências acadêmicas utilizadas para a escrita desse post logo abaixo. Vocês conseguem ter acesso aos artigos em pdf utilizando o Google Acadêmico ou clicando diretamente nas referências 😉.

Até breve 👋